sexta-feira, 17 de junho de 2011
sábado, 14 de maio de 2011
A Luz e a Obscuridade
"Para Sabina, viver significa ver. A visão encontra-se limitada por duas fronteiras: uma luz de tal modo intensa que nos cega e uma obscuridade total. Talvez seja daí que lhe vem a repugnância por todos os extremismos. Os extremos marcam a fronteira para lá da qual não há vida e, tanto em arte como em política, a paixão dos extremismos é um desejo de morte disfarçado.
Para Franz, a palavra luz não evoca a imagem de uma paisagem suavemente iluminada pelo sol, mas a fonte de luz enquanto tal: uma lâmpada, um projector. Vêm-lhe à cabeça as metáforas habituais: o sol da verdade, o brilho da razão, etc.
É atraído pela luz como também o é pela obscuridade. Nos dias que correm, quem apaga a luz para fazer amor arrisca-se a cair no ridículo; como ele tem consciência disso, deixa sempre uma luzinha acesa por cima da cama. No entanto, no momento em que penetra em Sabina, fecha os olhos. A volúpia que o invade exige a obscuridade. Uma obscuridade pura, absoluta, sem imagens nem visões, uma obscuridade sem fim, sem fronteiras, uma obscuridade que é o infinito que cada um de nós tem em si (sim, porque quem busca o infinito só tem de fechar os olhos!).
No momento em que sente a volúpia espalhar-se-lhe pelo corpo, Franz dissolve-se no infinito da sua obscuridade, ele próprio se transforma em infinito. Mas quanto mais um homem cresce na sua obscuridade interior, mais diminuído fica na sua aparência física. Um homem de olhos fechados não é senão um rebotalho de si próprio. Como não quer assistir a isso, Sabina também fecha os olhos. Para ela, a obscuridade não é o infinito. Fecha os olhos porque quer separar-se do que está a ver, porque quer negá-lo. Recusa-se a ver."
Milan Kundera
"Pratica a coragem. Sem medo, sem te desviares um milímetro que seja de quem és. Não te acanhes, nem te rebaixes, não fiques com nada por dizer. És mais bravo do que pensas e o teu corpo mais mais resistente do que imaginas. Segue, vai contigo. Ouve o bichinho que te diz esuqerda quando toda a gente vai para a direita (esse bichinho és tu, não o pises). Pratica a tua intuição, vai mais vezes, erra as vezes que precisas. Dorme descansado. Tu não és mais ninguém, nunca o serás, por mais que te gritem o contrário, tu és tu. Ponto. Por isso, pratica o que tens. Pratica o que só em ti existe e é raro nos outros. Pratica o desplante, a candura, o despropósito e o magnânime. Pratica o estrambólico, o arrumadinho, o absurdo.
Pratica quem és."
Sumol advice.
sábado, 7 de maio de 2011
"You can't measure the mutual affection of two human beings by the number of words they exchange." — Milan Kundera
quarta-feira, 4 de maio de 2011
(No) Turning Back
sábado, 30 de abril de 2011
"...Mesmo nos momentos da mais profunda desordem, é segundo as leis da beleza que, secretamente, o homem vai compondo a sua vida. Não há, portanto, razão nenhuma para censurar aos romances o seu fascínio pelos misteriosos cruzamentos dos acasos, mas há boas razões para censurar o homem por ser cego a esses acasos na sua vida quotidiana e assim privar a vida da sua dimensão de beleza."
Milan Kundera-A Insustentável Leveza do Ser
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Sense(less)

Sentes?
Quando as palavras te saem pela ponta dos dedos,
te escorregam pelos lábios ao sabor da tua língua,
quando se tropeçam em sentimentos e se excluem de pudores.
Sentes?
Quando ouves o que és, o que podes ser, mesmo sabendo,
quando lês, quando vês (quando vês...),
Quando te encontras numa abstracta encruzilhada,
entre ti e o outro, entre o que sabes, o que queres saber...
Sentes?
Quando aclamam a tua presença, o teu calor,
E a tua voz é querida aos ouvidos alheios.
Sentes?
Quando sabes que há algo do outro lado, algo mais,
Algo que não conheces e que te faz procurar,
descobrir, provar.
(...)
Imagina tocar, respirar, desfrutar
um outro sabor.
Tanto teu, tanto meu,
tanto nosso quanto do mundo.
Imagina...
Imagina a tua presença em mim,
os meus olhos em toda a tua errância, toda a tua forma,
todo o teu olhar.
Imagina tu, agora imagina eu...
Sentiste?
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