sábado, 24 de julho de 2010

Não sei quantas almas tenho,
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: 'Fui eu?'
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Broadcast yourself,


and your true essence and spirit. Explore and discover.

domingo, 11 de julho de 2010

I See You


I see you,
Wrapped in my past, in my thoughts, in my grow,
Almost close enough by memories your clumsy yap appears,
Just like your blankets and your fleas and your fur,
All of that was cleaned today, kept in the lowest drawer, unlocked.

Home is quiet today,
an anxious silence rips my chest and my ears,
Some presence is missing, some scratching sound, some something,
My fingertips are still stiff, like you we're, in the morning.
The drool spot is still there, almost vanished, yet kept in time, like a print.

Lots of fights has been fought, just like other's can't imagine,
Racional senses mingle with irracional actions, just like always,
just like ever.
Places, faces, runs and catches, yap's and licking, jaded clipping,
Expressions, demonstrations, afections, enjoyment. Over.

Forgetting is like ripping some body member,
Instead i prefer the heart ripping, remembering by absence,
Even i couldn't realize how needful you were,
The time has passed now and you see me,
I can't.


L .



terça-feira, 22 de junho de 2010

Secrets



Fechado,
o segredo é mantido e resiste,
Como uma porta sem chave, nem fechadura.
Todos nós nos mantemos lá dentro, no escuro, na luz,
O que o vento deixa escapar abre asas ao desconhecido, ao curioso.
Nunca ninguém sabe, nem os que pensam que sim, nem os próprios.

Não se conhece a criação, as raízes, o destino.
Segreda-se pelos ouvidos das paredes,
Segredos alheios, secretos terceiros,
A imagem é distorcida ao fruto da imaginação,
A porta é forçada, espiada, esmiuçada,
Nunca foi aberta, revelada, escancarada. Nem podia.

A sede pelo conhecimento torna mordazes em incapazes,
Incapazes de guardar, partilhar, sequer abrir, se entrar,
Especulações lançadas ao ar como fogo de artifício,
Bonitas, plausíveis, efémeres, irreais, mortais.
Rasgam verdades e laços com o bruto contacto,
O espaço é invadido, o nosso, o deles, dos outros.

Somos, para os outros, aquilo que lhes mostramos,
Não deixamos de ser menos Nós por não mostrarmos tudo o que somos,
Somos decifráveis tanto quando queremos, quanto podemos,
Aquilo que somos para nós é o que outros buscam, o segredo.
Esquecendo o(s) seu(s) na gaveta, a sua chave, a inexistente, a procurada,
Nunca (talvez) achada.

E continuam.

(...) Every (one) has their own little secret, right?


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Mind Flashes'

Uma ambiguidade de sentidos, sentimentos e memórias são revividas mesmo antes de acontecerem, o caminho trilha-se numa mesma direcção, desta vez com outros fins, outros propósitos. A memória, já quase esquecida mas nunca apagada, renasce do profundo inconsciente, ainda adormecida, à espera de ser derrotada, mas cheia de força e desilusão. Não está em jogo apenas o cumprimento de objectivos, o ultrapassar de barreiras. O peso adensa-se na imensidão da mente, a mesma reconhece o fracasso, a estagnação, a prévia ansiedade de superação, não consegue dar tudo o que tem, mesmo tendo tudo o que precisa. Acreditar não é suficiente quando se reconhece a situação, desta vez evoluida, feroz, mordaz. É preciso raciocínios nunca antes jogados, é preciso concentração, a frustação é parte de nós, está connosco e cada vez mais presente, cada vez mais enfraquecida com a força de vontade e, ainda assim, consegue dar cartas e confundir juizos, decisões. A vida aparenta-se crua, mais do que esperado, ideias são facilmente sobrevalorizadas e deitadas abaixo, as palavras perdem o seu sentido, os incentivos também. Desta vez é preciso partir de um raciocínio lógico, o que se depara mostra-se mais inultrapassável do que na realidade é, a era das teorias chega a um fim, nunca desejado, mas apetecido, preciso, ao menos. É hora de mostrar ao espelho a maturidade, as feridas saradas do falhanço, o crescimento evoluido e evolutivo, é hora de se superar à aparência e aos ideiais mortos, falecidos, imortais.

É hora, de conseguir.
(FUCK!)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Uma busca incessante instala-se na criação, no seu controlo, emoções são espalhadas, libertadas, explosivas de sensações electrizantes, o ser paira nas particulas do seu sonho e vale-se, por quanto se sente que é. O movimento cria sons, sons de procura, de ajuda, de pedido, sons de vontade, sons de desespero, os sons são todos pretos e brancos, a sua mensagem é distorcida, mas libertada, é sentida, mas não correspondida. O corpo cede à pressão, à sensação, à humana condição. A mente tende a rastejar pelas notas, pelo fumo, pelo chão, incessante na racionalização, na descompressão, ainda na criação. Mortalidade torna-se relativa aos olhos de quem não vê, não encontra, que sente, a batida, a imagem, a pessoa, a palavra.
A efemeridade torna as palavras descartáveis, a vida, essa, é o solo desta batida.

"(...) Some of it it's not meant to be beautiful"

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ouço,
Ouço ouvindo aquilo que não me é dito,
O mesmo que eu me poderia dizer,
Não dizendo, não querendo, não ouvindo.

Vejo,
Vejo-me pelas acções que tomo,
Tomadas sem ver, sem querer,
Vejo nenhum de mim, nenhum de nós,
Mesmo olhando-me, mesmo ouvindo-me.

Sinto,
Sinto aquilo que me falta, sem saber, sequer ver,
Sinto vento, frio, sinto calor, mas não me sinto,
Senti-me tanto que me sinto dormente, de sentidos, de sentido.

Cheiro o sabor das palavras que ouço, do seu sentido, seu paladar,
Digiro-as, cego, e engulo texturas de sons nunca vistos,
Fecho os olhos e ouço, sentindo tudo aquilo que vejo,
Parto e partilho o sentido de um novo rumo, ainda cego, mordaz,

E sigo.

(...)
Corona